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Epilepsia em Cães: Sintomas, Tratamento e Como Agir nas Crises

24 de janeiro de 2026·8 min de leitura·Patudo

Guia sobre epilepsia canina em Portugal. Tipos de convulsões, raças predispostas, o que fazer durante uma crise, medicação e custos de tratamento.

Epilepsia em Cães: Sintomas, Tratamento e Gestão Completa

Nota: Este artigo é meramente informativo e não substitui uma consulta veterinária. Se o seu cão teve uma convulsão, procure ajuda veterinária o mais rapidamente possível.

A epilepsia é a doença neurológica crónica mais comum em cães e afeta entre 0,5% e 5% da população canina. Se o seu cão teve uma convulsão, sabemos o susto que passou. A boa notícia é que a epilepsia canina é controlável com medicação adequada, e a maioria dos cães epiléticos vive uma vida longa e com qualidade.

Neste guia explicamos os tipos de epilepsia, as raças mais predispostas, como reagir durante uma crise, os tratamentos disponíveis e os custos em Portugal.

O Que É a Epilepsia Canina?

A epilepsia é uma condição neurológica caracterizada por convulsões recorrentes causadas por atividade elétrica anormal no cérebro. Uma convulsão isolada — por exemplo, provocada por envenenamento ou baixa de açúcar no sangue — não significa necessariamente epilepsia. O diagnóstico exige, regra geral, pelo menos duas convulsões não provocadas separadas por mais de 24 horas.

Tipos de Epilepsia

Epilepsia idiopática (genética) — a forma mais comum (60-80% dos casos). Não existe lesão visível no cérebro; resulta de predisposição hereditária. Surge tipicamente entre 1 e 5 anos de idade. Os exames de imagem são normais.

Epilepsia estrutural — causada por anomalias no cérebro como tumores, traumatismos cranianos, AVC ou encefalite. Mais frequente em cães com mais de 5 anos. O prognóstico depende da causa subjacente.

Epilepsia reativa — convulsões provocadas por problemas fora do cérebro: hipoglicemia, insuficiência hepática ou renal, envenenamento ou desequilíbrios eletrolíticos. As convulsões param quando a causa é corrigida — não é epilepsia verdadeira, sendo importante conhecer outras doenças comuns que podem provocar convulsões.

Raças Mais Predispostas

Certas raças apresentam risco significativamente mais elevado de epilepsia idiopática:

Risco Raças
Muito alto (>10%) Border Collie, Pastor Alemão, Keeshond
Alto (5-10%) Golden Retriever, Labrador Retriever, Beagle, Setter Irlandês, Boxer, Cocker Spaniel, Schnauzer Miniatura
Moderado Cão de Água Português, Cão da Serra da Estrela

Qualquer raça ou cruzado pode desenvolver epilepsia. Se tem um cão de raça predisposta, discuta rastreio proativo com o veterinário, sobretudo se notar episódios estranhos como momentos de ausência ou comportamentos atípicos.

As Três Fases de Uma Convulsão

Fase 1: Aura (Pré-Ictal)

O cão sente que a convulsão se aproxima. Pode mostrar ansiedade, inquietação, salivação excessiva ou procurar esconder-se. Esta fase dura de segundos a horas.

O que fazer: Mantenha a calma. Leve o cão para um local seguro, longe de escadas, piscinas e objetos perigosos. Se possível, filme o episódio — será útil para o veterinário.

Fase 2: Ictal (A Convulsão)

A convulsão propriamente dita dura tipicamente 30 segundos a 2 minutos. A forma mais comum é a convulsão generalizada (tónico-clónica): o cão cai de lado, fica rígido, faz movimentos de pedalagem, saliva intensamente e pode perder controlo da bexiga.

Existem também convulsões focais (afetam apenas parte do corpo, como tremores numa pata) e convulsões de ausência (raras em cães).

O que fazer durante a convulsão:

  1. Não segure nem restrinja o cão — pode magoar-se ou magoá-lo
  2. Não ponha as mãos na boca — os cães não engolem a língua
  3. Afaste objetos em volta, cronometre a duração e filme se conseguir
  4. Reduza luzes e ruído

Vá imediatamente ao veterinário de urgência se a convulsão durar mais de 5 minutos, se ocorrerem várias no mesmo dia, ou se for a primeira vez.

Fase 3: Pós-Ictal (Recuperação)

Após a convulsão, o cão ficará desorientado, pode andar de forma cambaleante, parecer cego temporariamente ou ter fome e sede extremas. Esta fase dura entre 15 minutos e 1 hora, por vezes mais.

Deixe-o descansar num local calmo. Ofereça água, mas não force alimentação. Não o deixe sozinho nas primeiras horas — pode ter outra convulsão.

Status Epilepticus: A Emergência Máxima

O status epilepticus é a emergência neurológica mais grave: uma convulsão que dura mais de 5 minutos, ou múltiplas convulsões sem recuperação de consciência entre elas. Sem tratamento rápido, a mortalidade atinge 25-30%.

O que fazer:

  1. Telefone para o veterinário de urgência e avise que está a caminho
  2. Se tiver diazepam rectal prescrito, administre conforme instruído
  3. Transporte o cão enrolado numa manta, com o pescoço estendido
  4. Aplique toalhas húmidas frias nas virilhas, pescoço e axilas

Saiba como prestar primeiros socorros ao seu cão noutras situações de emergência.

Tratamento da Epilepsia Canina

A epilepsia não tem cura, mas é altamente controlável. O objetivo não é eliminar todas as convulsões — é reduzir a frequência e gravidade para níveis que mantenham a qualidade de vida.

Quando Iniciar Medicação

Geralmente inicia-se tratamento quando o cão tem duas ou mais convulsões generalizadas em 6 meses, quando ocorre status epilepticus, ou quando as convulsões aumentam em frequência. Uma convulsão isolada e breve nem sempre justifica medicação imediata.

Medicamentos Principais

Fenobarbital — primeira linha em Portugal. Comprimidos orais, duas vezes por dia, sempre à mesma hora. Controla convulsões em 60-80% dos cães. Efeitos secundários nas primeiras semanas (sede, fome, sonolência) geralmente desaparecem. Custo: €25-€50/mês.

Brometo de potássio — segunda opção ou complemento ao fenobarbital. Especialmente útil em cães com problemas hepáticos. Demora 2-4 meses a atingir níveis estáveis. Custo: €30-€60/mês.

Levetiracetam (Keppra) — menos efeitos secundários e seguro a longo prazo, mas significativamente mais caro e requer toma 3 vezes por dia. Custo: €80-€200/mês.

Muitos cães necessitam de combinação de 2 ou 3 fármacos. Cerca de 20-30% dos cães não respondem adequadamente à medicação — nesses casos, o veterinário pode explorar terapias combinadas ou outras abordagens.

Nunca pare a medicação abruptamente. A descontinuação súbita de fenobarbital pode provocar status epilepticus.

Monitorização

Análises ao sangue a cada 6-12 meses (níveis séricos e função hepática) são essenciais. Mantenha um diário de convulsões com data, duração, tipo e contexto — existem apps gratuitas como Epil-Pal que facilitam este registo.

Custos de Tratamento em Portugal

Item Custo Estimado
Consultas + análises iniciais €100 - €200
Exames de imagem (RM/TAC, se necessário) €400 - €900
Medicação anual €300 - €1.200
Análises de monitorização (2x/ano) €100 - €160
Total primeiro ano (básico) €620 - €1.610
Manutenção anual €440 - €1.460

O tamanho do cão, o número de medicamentos e a localização da clínica influenciam o preço. Para uma visão mais completa dos custos, consulte o nosso guia de preços veterinários. A maioria dos seguros de saúde animal não cobre doenças pré-existentes, por isso vale a pena contratar antes de qualquer diagnóstico.

Viver com um Cão Epilético

Entre convulsões, o seu cão é perfeitamente normal. Pode passear, brincar, socializar e até praticar desportos caninos. A única precaução séria é supervisionar atividades na água — uma convulsão dentro de água é perigosa.

Dicas para o dia a dia:

  • Medicação no mesmo horário — use alarmes no telemóvel e tenha sempre reserva
  • Identifique desencadeadores — stress, calor excessivo, privação de sono e flutuações hormonais podem aumentar convulsões
  • Informe quem cuida do cão — família, passeadores e hotéis caninos devem saber o que fazer
  • Esterilização recomendada — a epilepsia idiopática é hereditária e cadelas podem ter mais convulsões durante o cio

A esperança de vida de um cão com epilepsia bem controlada é normal ou quase normal. Estudos indicam que 70-80% dos donos classificam a qualidade de vida dos seus cães epiléticos como boa a muito boa.

Perguntas Frequentes

A epilepsia em cães tem cura?

A epilepsia idiopática não tem cura, mas é controlável com medicação. Entre 60-80% dos cães respondem bem ao tratamento e vivem vidas longas e felizes. Já a epilepsia reativa (provocada por toxinas ou problemas metabólicos) pode resolver-se completamente quando a causa é tratada.

O meu cão pode morrer durante uma convulsão?

Convulsões breves (1-3 minutos) raramente são fatais. O perigo real é o status epilepticus — uma convulsão que dura mais de 5 minutos. Sem tratamento, a mortalidade ronda os 25-30%. Com assistência veterinária rápida, a maioria sobrevive.

Quanto custa tratar epilepsia em Portugal por mês?

Depende do medicamento e do tamanho do cão. Fenobarbital custa €25-€50/mês, levetiracetam pode chegar a €200/mês. Somando análises e consultas, o custo mensal típico para controlo estável fica entre €40 e €150.

O meu cão pode fazer vida normal com epilepsia?

Sim. Entre convulsões, cães epiléticos comportam-se de forma completamente normal. Passeios, brincadeira, socialização — tudo permitido. A única precaução real é a supervisão perto de água. Muitos cães epiléticos participam em agility e obediência sem qualquer problema.

Posso parar a medicação se o cão não tiver convulsões há muito tempo?

Nunca sem orientação do veterinário. A paragem abrupta de fenobarbital pode provocar status epilepticus. Alguns cães podem reduzir a dose após 1-2 anos sem convulsões, mas sempre de forma gradual e sob supervisão rigorosa.

As convulsões causam dor ao meu cão?

Não. Durante a convulsão, o cão está inconsciente e não sente dor. Pode ter dores musculares ligeiras depois (semelhantes a cãibras), mas que passam rapidamente. Entre convulsões, não sofre emocionalmente — vive o momento como qualquer outro cão.


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